Yuririn
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Dungeons of Hinterberg é o melhor burnout que eu já sofri



[TL:DR] 9/10 - Um ótimo jogo com mecânicas extremamente simples e uma progressão bem linear, que usa da simplicidade para contar histórias sobre burnout, crise dos 20 e tantos, turismo, exploração ambiental e suas consequências e sobre pertencimento.



Dungeons of Hinterberg é um excelente jogo simplista, foca especificamente no que precisa e o que não precisa fica de lado para dar mais espaço aos seus fortes. A estética cartunesca e simples serve bastante a imagem que o jogo passa. O combate é bem legal, as lutas são engajantes, mas nada absurdo (exceto se você tentar morder mas do que consegue, aí cê vai morrer mesmo). As masmorras, que dão nome ao jogo, são divertidas, bem divertidas. Nenhuma é igual a outra, e cada área onde as masmorras se encontram brinca com um ou mais temas e mecânicas. De um modo geral, é um ótimo jogo pra se gastar algumas boas horas jogando, seja rushando tudo ou indo de boa como se realmente estivesse de férias. Afinal de contas, férias é um período para você poder ser outra pessoa em outro lugar, já dizia Luisa.

Luisa Dorfer, advogada de dia, matadora de monstros a noite


O que mexeu comigo nesse jogo foi a protagonista. Luisa Dorfer é uma advogada júnior numa firma em Viena. E, como toda millenial, ela encontrou o burnoutinho, o nosso amiguinho. O jogo começa no primeiro dia de férias dela, chegando na cidade e indo explorar uma masmorra. Até aí tudo bem. Mas aí o jogo desdobra uma mecânica social de você passar tempo com as pessoas da cidade, e você vai descobrindo que isso acontece com todo mundo. Mecanicamente, isso é a forma de você ganhar certos upgrades e equipamentos, assim como liberar algumas mecânicas específicas, como Combo Counter ou magias de batalha, e, em um caso específico, é até necessário para avançar no jogo.

Porém essa mecânica trás o lado social também, o lado de você conhecer pessoas, entender o que tá rolando ali com aquela pessoa, porque ela age de certa maneira e outras coisas. Cada evento é realmente uma pequena conversa, um pedacinho do porquê aquela pessoa é assim, porque ela age de tal forma e até discussões sobre assuntos mais sérios.

Muitos assuntos são abordados nesses eventos sociais, desde burnout, falta de motivação para continuar, problemas ambientais, sensação de pertencimento, medo de dar o passo que falta pra te tirar do buraco, etc. Esses momentos realmente ressoaram comigo.

Citando por cima, devo dizer que o Julian e o Samkele tocaram em pontos que me machucaram, e que a Marina é uma inspiração.

Acredite se quiser, a Áustria é um país de verdade!


O jogo inteiro se passa na cidade título, Hinterberg, uma vila no meio dos alpes austríacos que virou um ponto forte de turismo após a aparição das 25 Masmorras junto com o ressurgimento da magia. E é justamente nesse local idílico que o esporte de Matar Monstros se popularizou imensamente. Isso dá todo o pano de fundo pro jogo rolar.

Os gráficos são simplistas, isso é um fato indiscutível, mas eles tem um certo charme. O design de cada personagem diz bastante sobre eles, assim como os monstros que a gente batalha são muito bem característicos (não decorei o nome de nenhum por não falar alemão).

As grandes áreas são bem bonitas, passam muito bem a vibe que querem passar, desde uma trilha montanhosa a uma floresta muito mais velha que muitos países, passando por alpes gélidos perfeitos para snowboard e pântanos decorrentes a condições ambientais. Todos os mapas são grandes e se divergem em vários caminhos. É fácil encontrar uma masmorra que teoricamente você não está preparado para enfrentar só porque decidiu segui um caminho que você achou legal.

Masmorras e mais masmorras e ainda mais masmorras


As masmorras são o atrativo. Você, que é um turista, foi para Hinterberg por causas dessas masmorras. E elas são bem divertidas. Cada uma das 4 áreas possui um número de masmorras que vão aumentado de dificuldade e complexidade. E cada uma dessas áreas te dá 2 magias para completar as masmorras, assim como ajuda no combate. Se jogar nas masmorras é uma grande parte do jogo, afinal, então tem que ser divertido.

Os puzzles não são impossíveis, meio que o contrário em certos casos, todos são superáveis se você tiver pelo menos 4 neurônios para entender o que usar e onde usar. Assumindo até que a experiência é curada por alguém ou algo foreshadow de alguma coisa aí, elas são lineares, geralmente tendo que superar um puzzle ou uma luta para avançar.

Cada masmorra é diferente da outra, mas mesmo assim elas mantem uma certa coesão em temática. Devo dizer que as minhas favoritas são as masmorras da área da floresta, que tem muitas brincadeiras como perspectiva, te fazendo andar pelas paredes, forçando mudanças de câmeras e te teleportando por todo lado.

Férias são para você ser uma outra pessoa em um outro lugar


Dungeons of Hinterberg se tornou um dos meus jogos favoritos meio que do nada. A combinação das mecânicas simples de combate e exploração, os puzzles e masmorras divertidas de se atravessar, as situações e temas discutidos de forma bem pessoal ali, de pessoa pra pessoa, isso tudo me pegou legal.

O jogo te apresenta isso de dar o seu melhor, de dar a volta por cima e de recomeçar. Desse ciclo de tentativa e erro. Em momentos fala de parar e cheiras as flores, em outros fala de parar e pedir ajuda e que tá tudo bem em pedir ajuda, e ainda em outros trás questões sociais que deviam te fazer parar um pouquinho e pensar sobre exploração turística.

Nem todo jogo precisa reinventar o seu gênero como um todo ou criar um subgênero inteiro. As vezes um jogo é só um joguinho honesto, com uma historinha pra contar e umas mecânicas legais pra gastar tuas tardes de um final de semana ou uns dias das tuas férias. E as vezes o jogo tem uma mensagem que tu precisa ouvir antes de enfrentar o teu próprio burnout.

9/10 para mim. Um dia espero poder visitar Hinterberg.
Comments
nanaih 1 Oct, 2018 @ 3:05pm 
tapioca
SaffiS 26 Jun, 2016 @ 12:16pm 
tucumã