doughbf
douglas
Petropolis, Rio de Janeiro, Brazil
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Veneno da vida
Não me morda, por favor, dona aranha. Você que tem como veneno o mais doloroso de todos os que existem: você que tem a teia vermelha que entrelaça as suas vítimas e as deixa caminhar até o fim, você que após nos envenenar apenas observa e vê o quão longe nós podemos ir. Por favor, não me dê a vida.

Quero permanecer inerte. Que, antes do seu beijo eu era tudo e nada ao mesmo tempo, fazia parte das estrelas mesmo não tendo nenhum sentimento para contempla-las. Agora, com a vida sinto tantas coisas que nem consigo discernir direito quem sou eu. Seu veneno me causa uma dor no peito que parece que ele está a queimar a cada segundo, me causa alucinações alegres que ao término delas só me vem à tristeza, me vicia num amor que não é permanente e me causa abstinência, me contempla o tempo. Porém nunca terei tempo suficiente para fazer tudo que preciso.

Viver dói. Mesmo que você, dona aranha, saiba que eu sou um ser frágil que não vai conseguir usar a sua benção, que sempre vai olhar a vida como uma maldição, por que me escolheu? Gostas de ver o meu sofrimento ou o sofrimento é a prova de que eu estou vivo? Por que o seu veneno é o mais letal se é dele que vem a vida? Porque ele maltrata cada vez mais com o posar do tempo, mas no final parece que todos buscam um pouco mais? Por que a sua teia vermelha que consegue carregar o mundo pode ser tão facilmente rompida por duas almas? Por favor, dona aranha, não me morda.